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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Defesa Civil de olho em seis municípios


No último dia 31, a Defesa Civil do Governo do Estado concluiu o levantamento dos municípios que correm risco de inundação na possibilidade de o inverno ser acima da média, conforme prevê a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMPARN) para os meses de março e abril próximos. Seis municípios serão preparados para a temporada.

O trabalho foi feito no período de 19 a 26 de janeiro, sob o comando da Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania (SEJUC) e do Corpo de Bombeiros. De dezenas de municípios visitados, destacaram-se com mais possibilidade de haver inundação com necessidade de socorro para vítimas os municípios de Apodi, Assú, Jucurutu, Ipanguaçu, Tangará e São Paulo do Potengi.

Além dessas cidades, outras também estão na iminência de ter inundação, como Alto do Rodrigues, Carnaubais e algumas localidades rurais de Porto do Mangue e Pendências, caso o inverno seja acima da média e faça a Barragem Armando Ribeiro transbordar com lâmina superior a 4 metros. Nessas cidades, que são banhadas com águas do rio Piranhas/Açu, existem dezenas de localidades rurais situadas no leito do rio que precisam ser evacuadas.

Outra particularidade sobre os municípios de Assú, Alto do Rodrigues, Porto do Mangue, Carnaubais e Pendências é que nessas cidades o nível da água sobe muito por represamento, ou seja, o leito do rio está obstruído com vegetação e enormes bancos de areia. Tem também construção de diques, que contribuem com o represamento, inundação e destruição das plantações.

A cidade de Ipanguaçu é um cenário à parte, pois além da água do rio Piranhas/Açu, existe também a água do rio Pataxó, que transborda para dentro da cidade, por estar obstruído. Nesse caso, a água só invade a cidade quando o açude Pataxó sangra com lâmina de sangria de 90 milímetros. Em 2008 e 2009, 75% da população ficou desabrigada, especialmente quem mora na zona rural.

Esta cidade, que tem 12 mil habitantes, já tem experiência de inundações. Nos últimos dez anos, a primeira foi em 2004. A providência adotada pelo Governo foi construir casas para retirar as pessoas das áreas de risco, mas, a exemplo do que aconteceu com as demais cidades do Vale do Açu, não investiu, através do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca, na retirada da vegetação e também da desobstrução do rio, como forma de evitar inundações futuras.

Na região de Apodi, que tem 35 mil habitantes, a Defesa Civil do Governo do Estado e os Bombeiros estiveram com o coordenador municipal de Defesa Civil, Marcílio Reginaldo, muito experiente no quesito socorro. Ele disse que a cidade não tem problema de inundação. Os problemas são nas regiões de várzea, onde moram mais de mil famílias.

Neste caso, não existe outra saída a não ser sair da região antes de a sangria da Barragem de Santa Cruz começar. Para Marcílio Reginaldo, não há como evitar a inundação da várzea. Ele disse que o que seria um paliativo seria reabrir o leito principal do rio, que está praticamente aterrado, porém o vê com dificuldades, pois se trata de um investimento muito alto.

O Relatório da Defesa Civil Estadual informa também que, dos 46 açudes monitorados pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMARH), pelo menos 18 precisam de reparos urgentes. Nesse caso, hoje o secretário Robson Faria deve publicar o edital de licitação para contratar os projetos que vão recuperar esses açudes.

O caso mais grave é o açude Guarita, em Tangará, que quase se rompeu na semana passada, depois de mais de 200 milímetros de chuva. A situação ficou dramática depois que dois pequenos açudes acima do Guariba se romperam, jogando dentro dele uma grande quantidade de água, fazendo transbordar por cima da parede e abrindo uma grande erosão. O açude esteve prestes a se romper e causar uma grande tragédia, principalmente na cidade de Boa Saúde, que fica próxima.

RECUPERAÇÃO
O Governo do Estado deslocou um trator do Departamento de Estradas e Rodagens (DER) para atuar na recuperação da parede. A Prefeitura alugou outro trator e o Dnocs disponibilizou caminhões-caçamba. O Corpo de Bombeiros orienta a população a evitar tomar banho no açude ou permanecer nas proximidades. O titular da Sejuc, Thiago Cortez, alerta que a população deve evitar utilizar as proximidades do açude como ponto turístico ou de lazer, pois as obras são paliativas e de emergência destinadas a conter a erosão. As cidades de Boa Saúde e as outras cinco da região Trairi que terão localidades inundadas com um possível rompimento do Guarita também estão em alerta, conforme o Corpo de Bombeiros.

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